Oficina de Brigadeiros

"Quão grande é a tua doçura, Senhor" Salmo 31:20, tradução Vulgata Latina


Dulcedo Dei: A doçura de Deus

Quando pensamos em Deus, dizemos que o nosso Deus é um Deus de amor… mas será que associamos a palavra doce a Deus?

Dulcedo Dei”: A doçura de Deus é uma tradição espiritual beneditina. São Bento, um italiano que viveu entre os finais do século V e inícios do século VI e criou a mais antiga ordem de clausura. Diante de um mundo hostil, guerreiro, cheio de injustiça e maldade, são Bento aspirava pela

doçura de Deus. Este conceito: doçura de Deus, permeou o cristianismo do século VI, de tal maneira que quando São Jerónimo traduz os textos hebraicos do Antigo Testamento usou a ideia da doçura de Deus para traduzir o Salmo 33: «Quam magna multitudo dulcedinis tuae, domine».

A doçura desta tradição era percetível através da simplicidade do trabalhar para e do orar por: “ora et labora”. Muitas vezes arrumamos estas tradições monásticas, esta espiritualidade dos primeiros séculos do cristianismo no catolicismo… Mas, estes movimentos de espiritualidade, de oração e serviço são também a nossa tradição.

Porquê organizar um Workshop de brigadeiros para falar deste: Dulcedo Dei?

O requinte do brigadeiro não tem a ver com os ingredientes utilizados… na verdade estes são bem normais e comuns. Não tem a ver com grandes rasgos culinários: gastronomia molecular ou alta cozinha muito elaborada… tem a ver com tempo e ponto certo…

O segredo é o cuidado, a paciência, o olhar, a prática, aceitar o erro como ensino. O BRIGADEIRO, tal como a espiritualidade Dulcedo Dei, incentiva-nos a não procurar a satisfação imediata, mas a encarar a felicidade como uma arte da vida; a alegria como uma construção de paciência: tropeçar, cair, levantar, aperfeiçoar; a vida cristã como um dom: Ora et labora.


Há 20 anos atrás, poucos de nós teríamos ouvido falar de brigadeiros.  Mas a vida das igrejas em Portugal mudou. E hoje somos igrejas de acolhimento… somos um país de encontros de culturas. Organizar um workshop de brigadeiros é a celebração da diversidade e multiplicidade da fé que professamos: Encontrar a doçura no encontro do outro, na paciência para acolher, no partilhar a caminhada de fé transformando esta vida dura, cruel e destruidora numa vida de doçura: A doçura que vem de Deus.

Ora et Labora é também o testemunho da Luana Morais, membro da Igreja Evangélica Presbiteriana de Algés que chegou a Portugal com o sonho de servir a Deus e ensinar a arte do Brigadeiro. Esta irmã foi responsável por este workshop e partilhou com um grupo de mulheres da Igreja Presbiteriana a história de como com fé e oração arriscou e transformou um sonho em realidade. Apesar das vozes e circunstâncias adversas, a Luana percebeu como Deus lhe foi oferecendo oportunidades de fazer o que mais gostava: brigadeiros. Entre dias de infindáveis horas de trabalho e noites de lágrimas e oração ela superou as adversidades e hoje ela é uma empreendedora e conceituada professora especialista em brigadeiros.

No ano em que as mulheres presbiterianas celebram 70 anos de trabalho organizado, recordamos que a história das mulheres presbiterianas nos mostra que também estas duas vertentes: a vertente espiritual: orar pela Igreja e, a vertente do trabalho: salvas para servir.